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Jovens universitários enfrentam dificuldades em conciliar trabalho e a faculdade

Publicado em 11/08/2026 21:23
Jovens universitários enfrentam dificuldades em conciliar trabalho e a faculdade

Por: Amanda Farias, Sara Barreto e Raísa Guache

 

Rotina marcada por múltiplas tarefas altera horários, desempenho e a trajetória acadêmica de quem cursa o ensino superior.

Manter, ao mesmo tempo, o emprego e a faculdade é um desafio crescente para muitos universitários. A dupla jornada impõe carga horária exaustiva, compromete a saúde mental e reduz o tempo de lazer, prejudicando tanto o rendimento acadêmico quanto o profissional. Para grande parte desses alunos, trabalhar é uma necessidade: a renda obtida sustenta suas despesas e, muitas vezes, financia as mensalidades do curso.

 

De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD) da categoria Educação, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2023, cerca de 66,4% dos jovens brasileiros precisam conciliar os estudos com o mercado de trabalho. Essa proporção cresce para 74,7% quando analisadas as instituições de ensino privadas.

Sem políticas robustas de permanência estudantil ou subsídios financeiros adequados para custos básicos como transporte e material didático, a sobrecarga se torna um dos principais fatores de exclusão pedagógica. De acordo com a 15° Pesquisa Mapa do Ensino Superior no Brasil do Instituto Semesp, publicada em 2025, a taxa de desistência é de 54,1% em cursos presenciais. 

 

Um exemplo real deste caso, é Maria Eduarda Teixeira, de 20 anos, que se viu forçada a trancar a graduação em Biomedicina no Centro Universitário Faculdade de Tecnologia e Ciências (UNIFTC). Conciliando as aulas matutinas com o expediente vespertino que mantinha na área administrativa, Maria enfrentava uma jornada que se estendia até a madrugada para dar conta das demandas acadêmicas, resultando em um quadro de exaustão extrema e privação de sono. "Eu ouvia os professores falarem, mas eu não conseguia absorver mais nada", desabafa. 

 

Após perder o emprego e enfrentar uma crise financeira e psicológica, Eduarda hoje trabalha como atendente de telemarketing. Na época, ela chegou a buscar atendimento psicológico na universidade onde estudava, mas não teve um retorno. “Na faculdade havia um serviço de atendimento psicológico, porém, quando eu fui me informar, eles falaram que o serviço estava suspenso, devido a superlotação, me aconselharam esperar para ver se abririam mais vagas e ficou por isso mesmo”, afirmou.

 

Equilíbrio
Outro caso semelhante é o de Hebert Damasceno, estudante de Jornalismo no Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge). Segundo ele, é um grande desafio conciliar estudo e trabalho. "Para organizar o meu tempo, uso agenda, anoto meus compromissos diários e sigo a minha rotina", explica ele, que, informou necessitar do emprego para bancar seus custos de vida. 
Hebert disse ainda que a busca por esse equilíbrio tem prejudicado sua saúde mental e a qualidade do seu sono. “Um depende do outro. Se eu perder o emprego, provavelmente terei que trancar a faculdade. Então, não posso retirar nenhum dos dois compromissos da minha vida”, ponderou.

 

Outro exemplo é a situação de Raisa Guache, aluna de Terapia Ocupacional na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Sem vínculo empregatício, depende financeiramente do pai para manutenção das despesas básicas. Moradora de Lauro de Freitas, ela descreve despesas mensais significativas com transporte e gastos com alimentação nos dias em que permanece o dia todo no campus. “Eu não posso trabalhar, porque eu não tenho tempo, as aulas são muito extensas e como é integral, eu fico a manhã e a tarde inteira lá, praticamente todos os dias da semana” , relatou.

 

A estudante aponta também dificuldades estruturais no acesso a auxílios que são distribuídos pelas instituições públicas de ensino. A aluna explica que pretende concorrer a bolsas de iniciação científica, porém elas costumam ser raras e muito concorridas e que, quando possui vagas, frequentemente são voluntárias; as oportunidades remuneradas, segundo ela, “são quase uma lenda urbana”. Contudo, a jovem possui um grande interesse em continuar tentando adquirir mesmo assim.

 

 

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