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Quando o debate vira corte: a política do algoritmo

Publicado em 19/10/2026 20:45
Quando o debate vira corte: a política do algoritmo

Por Samuel Lima 

 

"A espetacularização é, na prática, a vida transformada em sensação ou entretenimento". Há um tempo li essa frase na Revista Pesquisa FAPESP em uma entrevista com o jornalista, sociólogo e escritor Muniz Sodré, a quem acompanho e me digo um grande admirador. Ontem, domingo (18/10), após terminar de assistir na Band ao debate entre os candidatos à presidência do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atual presidente, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), senti que precisava expressar a minha visão sobre a frase que abre esta coluna.

 

A grande verdade é que o sistema econômico atual descobriu que a forma mais lucrativa de mercado não é vender apenas coisas, mas sim vender a própria existência humana transformada em um espetáculo contínuo. Quando observamos os candidatos que concorrem a mais alta liderança do país não participaram a debates (no 1° turno) não responderam a alguns questionamentos e, muito menos, respeitaram aos mediadores e oponetes políticos dentro da própria sala de discussão, podemos concluir que a grande prioridade não é servir ao seu possível ou fiel eleitor. É dar uma resposta aos algoritmos.

 

Em uma eleição marcada pelo uso massivo das redes sociais para divulgação de campanha e de ideias, os debates presenciais não fugiram desse esquema. Na sala de debate, Flávio ficou propositalmente por trás de Lula fazendo caras e bocas, justamente para tirar a atenção do eleitor indeciso, pirraçar quem apoia Lula e divertir os seus próprios eleitores, viralizando depois em seus perfis oficiais de Instagram, TikTok, além de grandes portais de notícia e páginas de fofoca. Lula tem participação menor na criação desse espetáculo, porém não fica isento, afinal, ele é o Presidente da República e cair em tantas provocações não contribui para o fim. Atitudes lamentáveis que não deveriam ser toleradas pelo Grupo Bandeirantes, um veículo jornalístico tradicional na cobertura de eleições, impressão que ficou é de que a condução amadora das regras acabou servindo mais a lógica do engajamento do que ao esclarecimento do eleitor. 

 

No fim, o que vimos na Band não foi um debate, foi a confirmação da frase de Sodré. A política deixou de ser o espaço da proposta e virou o palco da sensação. Enquanto a atenção do eleitor for tratada como moeda de troca por visualização, o conteúdo continuará perdendo para a encenação. E quem perde, no fim do espetáculo, não é Lula nem Flávio, é o próprio eleitor, que sai com um meme na timeline, mas sem uma resposta para o país.

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